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sábado, 12 de setembro de 2009

UM POUCO SOBRE ECUMENISMO

Histórico
O termo ecumenismo
No mundo grego, ecumenismo significava "terra habitada", e tinha o sentido de "povo civilizado", de cultura aberta, tanto com uma perspectiva geográfica, como de civilização. Com as conquistas do império romano, o termo ganha mais uma conotação antes das anteriores, a conotação política. Já no cristianismo, a palavra é utilizada numa perspectiva espiritual: a "terra habitada" passa a ser considerada obra de Deus, tornada habitável pela colaboração humana. Assim, assume a conotação de uma tarefa a realizar.
Em 381, o Concílio de Constantinopla refere-se ao Concílio de Nicéia como Concílio ecumênico. Neste contexto, a palavra ecumênico refere-se tanto à reunião de pessoas de distintos lugares, quanto à doutrina e costumes eclesiásticos aceitos como norma para toda a Igreja Católica. Após o império romano, o termo ecumenismo deixa de ter as conotação política e passa a ser utilizado na Igreja. Por exemplo, o Credo Niceno-Constantinopolitano é considerado ecumênico por ser a profissão de fé aceito por todos os cristãos.
A raiz do ecumenismo moderno data do final do século XVIII, com as missões protestantes. O grande impulsionador destas missões, William Carey propôs a cooperação entre os cristãos para fazer frente à evangelização de um mundo cada vez maior a ser cristianizado. Mas o termo ainda tem conotações geográficas, enquanto busca a unidade em vista da expansão do Evangelho.
A partir dos movimentos Fé e Constituição e Vida e Ação, o termo ecumenismo espalhou-se nos ambientes eclesiais como o relacionamento entre as igrejas cristãs divididas na direção de superar as divergências teológicas, de aproximar os cristãos das diversas denominações e cooperar com a paz mundial.
História do movimento ecumênico
Em 1846, foi criada em Londres a Aliança Evangélica, com a finalidade de congregar as diversas igrejas diante da ameaça de fragmentação do Protestantismo. Durante a primeira reunião da Aliança Evangélica em Londres, o pastor calvinista ressalta o "espírito ecumênico" demonstrado pelos organizadores do evento.
A partir da segunda metade do século XIX, surgiram as associações mundiais leigas de jovens, que foram fundamentais para o desenvolvimento do ecumenismo. A primeira destas associações de cunho ecumênico foi a Associação Cristã de Moços, criada em Londres em 1844, por George William, que se espalhou pelo mundo e organizou-se em uma Associação Mundial a partir de 1855. A Associação Cristã Feminina, também londrina, foi criada em 1855. Outras organizações também tiveram sua importância: Movimento de Estudantes Voluntários para as Missões Estrangeiras, de 1886, e a Federação Mundial de Estudantes Cristãos, de 1895, ambos organizados por John Raleigh Mott, que foi um grande líder das iniciativas ecumênicas.
No âmbito católico, o papa Leão XIII, ao promulgar a encíclica Provida Mater, em 1895, instituiu um tempo de novena pela reconciliação dos cristãos entre as festas da Ascensão e de Pentecostes, que foi constituído em um tempo perpétuo dois anos depois.
Em 1908, os anglicanos Spencer Jones e Lewis Thomas promoveram oito dias de oração pela unidade dos cristãos entre 18 de janeiro (Festa da cátedra de São Pedro) e 25 de janeiro (festa da conversão de São Paulo). Posteriormente, Watson converteu-se ao catolicismo e foi instituído na Igreja Católica a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos neste mesmo período.
Em 1905, foi criado nos Estados Unidos o Conselho Nacional das Igrejas.
A Conferência Missionária Mundial, em Edimburgo, em 1910, é considerada o marco do ecumenismo como é entendido hoje: a busca da unidade entre as igrejas cristãs. Idealizado e realizado por John Mott. Ao convocar esta conferência, Mott conclamava os líderes do protestantismo para a necessidade de cooperação entre as igrejas no campo missionário, para além das diferenças confessionais. A Conferência resultou em dois congressos posteriores, em Estocolmo, em 1925 e Oxford em 1939. A partir de então floresceram diversas iniciativas ecumênicas: a criação do Conselho Internacional de Missões (1921), o Conselho Universal da Vida e do Trabalho (Estocolmo, 1925) e o Conselho Mundial Fé e Ordem (Lausanne, 1927), que estavam a gestar a criação de um organismo internacional das igrejas cristãs.
Entretanto, o papa Pio XI via com suspeita estes movimentos e publicou em 1928 a encíclica Mortalium animos, que afirma que a única igreja verdadeira é a igreja romana e que a salvação só pode ser alcançada pelo regresso a ela. Apesar desta posição oficial, diversas iniciativas no âmbito católico foram efetuadas no sentido da aproximação e cooperação com outras denominações cristãs.
Em 1948, foi criado o Conselho Mundial das Igrejas - CMI, que reuniu inicialmente 197 denominações. No âmbito desta organização, o termo ecumenismo designa os esforços entre Igrejas com vista a uma reconciliação cristã que aceite a realidade da diversidade das diversas igrejas cristãs.
Numa edição especial, a revista Sem Fronteiras (As Grandes Religiões do Mundo, p. 36) descreve o ecumenismo como um movimento que se preocupa com as divisões entre as várias Igrejas cristãs. E explica: "Trabalha-se para que estas divisões sejam superadas de forma que se possa realizar o desejo de Jesus Cristo: de que todos os seus seguidores estivessem unidos, de assim como Ele e o Pai são um só."
A Igreja Católica incorpora-se oficialmente ao movimento ecumênico a partir de 1960, quando o papa João XXIII criou o Secretariado Romano para a Unidade dos Cristãos. Este organismo participou ativamente no assessoramento ao papa e aos bispos durante o Concílio Vaticano II, além de ajudar os padres conciliares na elaboração do decreto Unitatis Redintegratio de 1964. Estabeleceu o diálogo sobre a doutrina com outras igrejas, assessorou as Conferências Episcopais pelo mundo no tema do ecumenismo. Foi responsável ainda pelos documentos Diretório Ecumênico (1967-1970) e A colaboração ecumênica em nível regional, nacional e local (1975). O Papa João Paulo II reafirmou o ecumenismo como essencial para a fé cristã na Encíclica Ut unum sint ("Que todos sejam um").
Algumas denominações protestantes participam do movimento ecumênico. Outras, entretanto, não só não o aceitam como crêem que o ecumenismo cumpre perfeitamente as profecias bíblicas no livro do Apocalipse que prevê o seu líder - o falso profeta - que levará a humanidade a aceitar o Anticristo que está por vir (Apocalipse 13.11-12)[3]. Esta visão é compartilhada, sobretudo pelos novos movimentos religiosos.
Tipos de ecumenismo
O ecumenismo tem uma face plural. As iniciativas e o diálogo ecumênico ocorrem em diferentes níveis e entre diferentes atores. Bosch [4] classifica estas iniciativas segundo:
Ecumenismo espiritual: o ecumenismo espiritual pressupõe que a superação das diferenças humanamente insuperáveis é uma obra de Deus. Requer uma atitude orante e também uma atitude de diálogo que brota da convicção de unidade espiritual entre aqueles que crêem em Jesus Cristo. O Concílio Vaticano II afirma que "a oração é a alma do ecumenismo" (UR 8).
Ecumenismo institucional: é aquele que ocorre ao nível das instituições promotoras do ecumenismo, como o Conselho Mundial de Igrejas e o Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos.
Ecumenismo oficial: é aquele que envolve as autoridades eclesiásticas das diversas igrejas.
Ecumenismo doutrinal: trata-se das iniciativas de diálogo sobre as diversas questões doutrinais que estão na raiz das divergências. Busca-se atingir pontos de convergência no que é o essencial do cristianismo através de encontros, colóquios e diálogos entre as diversas igrejas.
Ecumenismo local: o ecumenismo local corresponde às iniciativas e ações comuns que ocorrem na base das igrejas.
Ecumenismo secular: o ecumenismo secular é uma corrente do movimento ecumênico representada por aqueles que, diante do impasse e da lentidão das diversas instituições em realizar a unidade, crêem que somente a aplicação do método intutivo – que parte da história concreta em que estamos inseridos e da encarnação como tema central - poderá levar adiante a tarefa ecumênica. Segundo os secularistas, o pensamento e a ação ecumênicas devem estar centradas no mundo secular, no serviço do ser humano. Assim, o ecumenismo secular coloca-se na busca da justiça, da paz, da ecologia e da luta contra a pobreza expressa nas diversas teologias da libertação.
Organismos ecumênicos
No Brasil
No Brasil e no mundo existem vários organismos de natureza ecumênica. O mais importante, no Brasil, é o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), fundado em novembro de 1982, com sede em Brasília e cujo símbolo é um barco. Seus membros são: "Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Cristã Reformada, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e Igreja Católica Ortodoxa Siriana do Brasil".
Existem organismos ecumênicos que atuam em causas comuns, como Koinonia e Diaconia que têm ações de apoio ao movimento popular e às igrejas.
Na América Latina
Na América Latina, mencione-se o Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), criado provisoriamente em 1978, em Oaxtepec / México, e definitivamente em 1982, em Huampani / Peru. Com sede em Quito / Equador, reúne hoje 150 diferentes igrejas de todos os países do continente latino-americano. Realizou assembléias gerais em Haumpaní (1978), Indaiatuba / Brasil (1989), Concepción / Chile (1995) e Barranquilla / Colômbia (2001). A quinta assembléia geral foi realizada em Buenos Aires / Argentina (2007).
No mundo
No âmbito global, destaca-se o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), fundado em Amsterdã (1948), contando hoje com 350 igrejas do mundo, com mais de 500 milhões de fiéis. Fazem parte dele a maioria das denominações protestantes e das igrejas ortodoxas. A Igreja Católica Romana ainda não é membro pleno, mas é-o de unidades específicas do CMI, como a Comissão de Fé e Ordem, que trata dos assuntos doutrinários. Realizam-se suas assembléias gerais em espaços de sete a oito anos entre elas, tendo a VIII Assembléia Geral sido realizado em Harare / Zimbábue (1998) e a IX Assembléia Geral em Porto Alegre / Brasil, em fevereiro de 2006. O novo Comitê Central, eleito nessa assembléia, elegeu por sua vez como seu Moderador, Walter Altmann, Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).
Fonte: Casa da Reconciliação e http://pt.wikipedia.org

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

MATERIAL DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA SOBRE ECONOMIA SERÁ LANÇADO HOJE NO RIO

Religiosos, economistas e políticos participam, hoje, às 15h, aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, do ato de lançamento do material da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010 (CF-2010). Confirmaram presença o secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa; o presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil (Conic), pastor sinodal, Carlos Möller; a ex-ministra e senadora Maria Silva; o economista Paul Singer e o subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Perly Cipriano.
A próxima Campanha vai discutir o tema “Economia” com o lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”, frase tirada do evangelho de São Mateus. Um texto-base com 80 páginas será o carro-chefe da discussão do tema. Produzido por peritos, o livro é dividido em três partes segundo o tradicional método Ver-Julgar-Agir, usado pela CNBB. Impresso pelas Edições CNBB o livro deve chegar às livrarias católicas ainda esta semana. Além do texto-base, serão apresentados ao público o cartaz, DVD, CD, adesivos, textos para reflexão com jovens, crianças e adolescentes, círculos bíblicos, cartilha.
Realizada pela Igreja Católica desde 1964, a Campanha de 2010 será ecumênica e está sob a responsabilidade do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil. Esta é a terceira campanha realizada ecumenicamente. As outras duas aconteceram em 2000 e 2005. A abertura oficial da Campanha será na quarta-feira de cinzas do ano que vem, dia 17 de fevereiro.
“O objetivo da Campanha de 2010 é unir as Igrejas Cristãs e, principalmente a nossa sociedade, na promoção de uma economia a serviço da vida, sem exclusões, criando uma cultura de solidariedade e trazendo paz”, explica o secretário geral do Conic, reverendo Luiz Alberto, da Igreja Anglicana.
São cinco as Igrejas que compõem o Conic: Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (ISO), Igreja Presbiteriana Unida (IPU).
Cerimônia
O presidente do Conic, pastor sinodal Carlos Möller, faz a abertura da cerimônia de lançamento do material da CF-2010 às 15h. Em seguida, o diretor executivo das Edições CNBB, padre Valdeir dos Santos Goulart apresenta os materiais de estudo e divulgação da Campanha.
O secretário geral do Conic, rev. Luiz Alberto, explicará os objetivos da próxima Campanha bem como o seu desenvolvimento ao longo de 2010.
As autoridades presentes também usarão da palavra. Em primeiro lugar, o subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Perly Cipriano. Após o subsecretário, usarão a palavra a ex-ministra do Meio Ambiente, senadora Marina Silva, e o economista Paul Singer. A previsão é de que a cerimônia demore uma hora e meia.
Contato: Pe. Geraldo Martins Dias - Assessor de Imprensa-CNBB - 61-8119-3762
Fonte: Assessoria de Imprensa - CNBB