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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

CRISTIANISMO NÃO É UMA FILOSOFIA, E SIM UM MODO DE VIVER, É AMOR, AFIRMA BENTO XVI

Ao presidir esta manhã a primeira Congregação Geral da Assembléia Especial para a África do Sínodo dos Bispos e perante 226 Padres Sinodais, o Papa Bento XVI assinalou que o Cristianismo "não é uma soma de idéias, uma filosofia, uma teoria. E sim, um modo de viver. É caridade. É amor".

Ao iniciar sua reflexão, informa Rádio Vaticano, o Santo Padre afirmou que "começamos nosso Sínodo invocando o Espírito Santo, pois bem sabemos que nós não podemos fazer o que é necessário fazer pela Igreja e pelo mundo, neste momento. Só na força do Espírito Santo podemos encontrar o que é reto e segui-lo".

Depois de afirmar que o "Espírito divino nos permite conhecer as realidades humanas à luz de Deus", Bento XVI explicou que os limites das análises são aqueles meramente sociológicos. Trata-se, disse o Papa, de análises "horizontais" que carecem da dimensão "vertical".

"Se a primeira relação, aquela fundamental, não é correta, todas as outras relações não funcionam desde o mais profundo. Portanto, toda nossa análise do mundo é insuficiente se não considerarmos o mundo à luz de Deus. Se não descobrirmos que na base das injustiças e da corrupção há um coração que não é reto. Há um fechamento para com Deus e, portanto uma falsificação da relação fundamental sobre a qual aconteceram todas as demais".

Em sua meditação, o Papa refletiu no Hino da Hora Tercia, a oração que introduz a sessão sinodal matutina, e assegurou que é importante reconhecer "a pequenez humana ante Deus. Pequenez da qual se derivam todos os vícios que destroem a rede social e a paz no mundo".

Seguidamente o Papa destacou a grandeza, gratuidade e a cercania do amor de Deus. "As coisas da ciência, da técnica custam grandes investimentos, aventuras espirituais e materiais custosas e difíceis. Mas Deus se dá gratuitamente. As grandes coisas da vida –Deus, o amor e a verdade– são gratuitas e diria que sobre isso devemos meditar freqüentemente. Sobre esta gratuidade de Deus. Sobre o fato que não há necessidade de grandes dons materiais nem intelectuais para estar perto de Deus: Deus está em mim, em meu coração e em meus lábios".

"O homem que descobre a intimidade com o divino deve testemunhá-lo com todo seu ser. Deve testemunhar a verdade da caridade de Deus porque esta é a essência da religião cristã", enfatizou o Santo Padre.

"A caridade de Deus deve ser anunciada à humanidade. A cada homem, que para um cristão é próximo e irmão", precisou.

Bento XVI sublinhou logo que "o cristianismo não é uma soma de idéias, uma filosofia, uma teoria. E sim, modo de viver. É caridade. É amor. Só assim chegamos a ser cristãos: se a fé se transformar em caridade. Se for caridade. Nosso Deus é por uma parte 'Logos' -Razão eterna- mas esta Razão é também Amor. Não é matemática fria que constrói o universo. Esta Razão eterna é fogo. É caridade. Já em nós deveria realizar-se esta unidade de razão e caridade, de fé e caridade".

Evocando ao Bom Samaritano da liturgia de hoje, Bento XVI ressaltou que "a caridade não é uma coisa individual, mas universal. Universal e concreta. Devem-se abrir realmente os limites entre tribos, etnias e religiões à universalidade do amor de Deus em nossos âmbitos de vida, todo o que seja concretamente necessário".

"Roguemos ao Senhor que nos doe o Espírito Santo, que nos dê um novo Pentecostes, que nos ajude a ser seus servidores nesta hora do mundo", concluiu.

Fonte: ACI – 05/10/09

EVANGELHO SEGUNDO S. LUCAS 10,25-37

Comentário ao Evangelho do dia feito por: Orígenes (c. 185-253), presbítero e teólogo

Homilias sobre o Evangelho de Lucas, 34, 3.7-9; GCS 9, 201-202.204-205 (a partir de trad. Delhougne, Les Péres commentent, pp. 419-420)

“Cristo, Bom Samaritano”

De acordo com um ancião que quis interpretar a parábola do Bom Samaritano, o homem que descia de Jerusalém em direção a Jericó representa Adão, Jerusalém o paraíso, Jericó o mundo, os salteadores as forças malignas, o sacerdote a Lei, o levita os profetas, o samaritano Cristo. As feridas simbolizam a desobediência, a montada o Corpo do Senhor. [...] E a promessa de voltar, feita pelo samaritano, prefigura, de acordo com este intérprete, o segundo advento do Senhor. [...]

Este Samaritano carrega os nossos pecados (cf. Mt 8, 17) e sofre por nós. Pega no moribundo e conduz à estalagem, ou seja, à Igreja. A Igreja está aberta a todos, não recusa o seu socorro a ninguém e todos são convidados por Jesus: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos que Eu hei-de aliviar-vos» (Mt 11, 28). Após ter conduzido o ferido, o Samaritano não parte de imediato, mas fica todo o dia na hospedaria junto do moribundo. Trata-lhe das feridas não apenas durante o dia, mas também de noite, abraçando-o com dedicada solicitude. Verdadeiramente este guardião de almas mostrou-se mais próximo dos homens que a Lei e os profetas «dando prova de bondade» para com aquele «que tinha caído nas mãos dos salteadores» e «mostrou ser o seu próximo» mais pelos atos do que pelas palavras

Segundo a palavra: «Sede meus imitadores como eu o sou de Cristo» (1Cor 11, 1), é possível imitar Cristo e ter piedade dos que «caem nas mãos dos salteadores», aproximando-nos deles, ligando-lhes as feridas, vertendo óleo e vinho sobre elas, carregando-os sobre a nossa própria montada e transportando-lhes os fardos. É por isso que, para nos estimular, o Filho de Deus diz, dirigindo-se a todos nós, mais ainda que ao doutor da lei: «Vai, e faz o mesmo».