sábado, 5 de junho de 2010
PAPA FALA SOBRE SANTO TOMÁS DE AQUINO: CATEQUESE DE QUARTA-FEIRA (02/06/2010)
terça-feira, 6 de outubro de 2009
FÉ E CIÊNCIA, DIÁLOGO NECESSÁRIO
Colóquio entre Dom Ravasi e o geneticista Axel Kahn
“Excluir a razão ou não admitir nada mais que a razão” são os dois excessos a evitar ao confrontar fé e ciência, afirmou o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, Dom Gianfranco Ravasi, tomando um pensamento do filósofo Pascal.
O prelado falou durante um debate com o geneticista Axel Kahn, presidente da Universidade Paris-Descartes, realizado na sexta-feira passada na embaixada francesa na Santa Sé.
O evento realizou-se por iniciativa da embaixada, em colaboração com a Delegação da Comissão européia na Santa Sé.
Dois excessos que devem substituir-se por “dois olhares, a ciência e a fé”, ambas necessárias “para uma visão completa da realidade que se explora”, disse Dom Ravasi.
Para o arcebispo, a relação entre ciência e fé deve dar-se “na distinção e no diálogo”.
Cada uma delas cobre “âmbitos diferentes, com caminhos autônomos e diferentes metodologias”, mas ambas “têm necessidade uma da outra para se completar na mente de uma pessoa que pensa”, afirmou.
Dom Ravasi disse que “a tentação no Ocidente é, por um lado, burlar-se vendo a teologia como um produto da paleontologia cultural destinado a ser abandonado com o advento da ciência e, por outro, impor à ciência alguns limites fundamentados sobre afirmações teológicas”.
Objetos diferentes
“A ciência –prosseguiu Dom Ravasi– interroga-se sobre o ‘como’, enquanto a metafísica e a religião se dedicam a investigar os valores últimos, o ‘por que’”.
Ainda que certamente a teologia e a ciência têm “gramáticas diversas”, explicou o arcebispo, “também têm coincidências metodológicas e expressivas”.
A linguagem científica moderna, por exemplo, “recorre muito à categoria do símbolo, aproximando-se do teológico”, disse.
Por outro lado, “segundo Santo Agostinho, “a fé não é nada se não se pensa sobre ela”; a adesão da fé não é só afetiva, mas requer uma elaboração intelectual, e a teologia serve-se de categorias lógicas”, continuou.
Dom mesmo modo, se o conhecimento de fé se situa em um canal distinto ao da simples racionalidade, “não é o único deste tipo experimentado pelo homem”, indicou. E explicou: “pode-se pensar na experiência do enamoramento, em que se supera o que a ciência oferece e se vê no rosto do outro a beleza além da objetividade”.
“Trata-se de um conhecimento verdadeiro, ainda que não é o mesmo que o da geometria, o da racionalidade”, afirmou.
Nem tudo é ciência
Por sua parte, o geneticista Kahn questionou: “por que um quadro é belo?”. “Não há uma resposta científica a esta pergunta, mas é legítimo propô-la, assim como perguntar-se se algo está bem ou mal”.
“A filosofia –prosseguiu Kahn– é um método racional para buscar respostas que não podem ser enfrentadas com a ciência e a racionalidade”.
E é a filosofia, em lugar da fé, a que se exige um diálogo com a ciência, opinou Kahn.
“O diálogo deve ter um vocabulário de conceitos comuns – acrescentou: se os conceitos da fé e da ciência são incomensuráveis entre si, o diálogo não pode ser intelectualmente frutífero”.
“O enfoque filosófico-científico pressupõe uma questão aberta à qual se tenta responder: se a hipótese de início, depois da verificação, resultar ser falsa, renuncia-se a ela”.
Em contrapartida, um enfoque teológico “não pode renunciar a sua premissa, que é a Revelação”. No entanto, “o diálogo entre a fé e a ciência é útil”, disse o geneticista.
“Sobre o humanismo, as posições convergem e estamos mais de acordo que em desacordo”, afirmou.
Na pesquisa com embriões, por exemplo, “a necessária proteção da singularidade do embrião – que ao se desenvolver converte-se em um ser humano – deve recordar-se com ou sem fé”, opinou.
“Sobre a condenação dos exames genéticos nos imigrantes, penso como a Igreja francesa”, acrescentou.
Para Kahn, “nosso mundo está fundado sobre os que crêem e os que não crêem, mas é necessário criar o futuro juntos; há que dialogar sobre o que uns e outros consideram o caminho correto”.
“A aparição de um ser humano é o resultado de duas condições: possuir um genoma humano e saber olhar o próximo como um questionamento, alguém através de cujo valor de ser humano percebo meu próprio valor”, afirmou Kahn.
“A reciprocidade – concluiu Kahn, que se professou ‘agnóstico, mas não ateu’ – para um materialista, desde fora da Revelação, é a condição do pensamento moral”.
Dom Ravasi recordou que “quando o Gênesis define a imagem de Deus no homem, afirma que “homem e mulher os criou”, quer dizer, que a imagem de Deus é a relação de amor, a reciprocidade”.
“Para utilizar de novo um pensamento de Pascal”, concluiu o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura. “se existe o amor, existe Deus”.
Chiara Santomiero
Fonte: Agência ZENIT - ROMA, terça-feira, 6 de outubro de 2009
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
CRISTIANISMO NÃO É UMA FILOSOFIA, E SIM UM MODO DE VIVER, É AMOR, AFIRMA BENTO XVI
Ao iniciar sua reflexão, informa Rádio Vaticano, o Santo Padre afirmou que "começamos nosso Sínodo invocando o Espírito Santo, pois bem sabemos que nós não podemos fazer o que é necessário fazer pela Igreja e pelo mundo, neste momento. Só na força do Espírito Santo podemos encontrar o que é reto e segui-lo".
Depois de afirmar que o "Espírito divino nos permite conhecer as realidades humanas à luz de Deus", Bento XVI explicou que os limites das análises são aqueles meramente sociológicos. Trata-se, disse o Papa, de análises "horizontais" que carecem da dimensão "vertical".
"Se a primeira relação, aquela fundamental, não é correta, todas as outras relações não funcionam desde o mais profundo. Portanto, toda nossa análise do mundo é insuficiente se não considerarmos o mundo à luz de Deus. Se não descobrirmos que na base das injustiças e da corrupção há um coração que não é reto. Há um fechamento para com Deus e, portanto uma falsificação da relação fundamental sobre a qual aconteceram todas as demais".
Em sua meditação, o Papa refletiu no Hino da Hora Tercia, a oração que introduz a sessão sinodal matutina, e assegurou que é importante reconhecer "a pequenez humana ante Deus. Pequenez da qual se derivam todos os vícios que destroem a rede social e a paz no mundo".
Seguidamente o Papa destacou a grandeza, gratuidade e a cercania do amor de Deus. "As coisas da ciência, da técnica custam grandes investimentos, aventuras espirituais e materiais custosas e difíceis. Mas Deus se dá gratuitamente. As grandes coisas da vida –Deus, o amor e a verdade– são gratuitas e diria que sobre isso devemos meditar freqüentemente. Sobre esta gratuidade de Deus. Sobre o fato que não há necessidade de grandes dons materiais nem intelectuais para estar perto de Deus: Deus está em mim, em meu coração e em meus lábios".
"O homem que descobre a intimidade com o divino deve testemunhá-lo com todo seu ser. Deve testemunhar a verdade da caridade de Deus porque esta é a essência da religião cristã", enfatizou o Santo Padre.
"A caridade de Deus deve ser anunciada à humanidade. A cada homem, que para um cristão é próximo e irmão", precisou.
Bento XVI sublinhou logo que "o cristianismo não é uma soma de idéias, uma filosofia, uma teoria. E sim, modo de viver. É caridade. É amor. Só assim chegamos a ser cristãos: se a fé se transformar em caridade. Se for caridade. Nosso Deus é por uma parte 'Logos' -Razão eterna- mas esta Razão é também Amor. Não é matemática fria que constrói o universo. Esta Razão eterna é fogo. É caridade. Já em nós deveria realizar-se esta unidade de razão e caridade, de fé e caridade".
Evocando ao Bom Samaritano da liturgia de hoje, Bento XVI ressaltou que "a caridade não é uma coisa individual, mas universal. Universal e concreta. Devem-se abrir realmente os limites entre tribos, etnias e religiões à universalidade do amor de Deus em nossos âmbitos de vida, todo o que seja concretamente necessário".
"Roguemos ao Senhor que nos doe o Espírito Santo, que nos dê um novo Pentecostes, que nos ajude a ser seus servidores nesta hora do mundo", concluiu.