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domingo, 31 de janeiro de 2010

EVANGELHO SEGUNDO S. MARCOS 4,35-41

Comentário ao Evangelho feito por Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (África do Norte) e Doutor da Igreja. Discursos sobre os salmos, Salmo 25, n.° 2 (a partir da trad. de AELF rev.)
«Desencadeou-se, então, um grande turbilhão de vento, e as ondas arrojavam-se contra o barco»
Também nós navegamos num lago onde não falta vento nem tempestades; as tentações quotidianas deste mundo quase submergem a nossa barca. Donde vem tudo isso, senão do fato de Jesus estar a dormir? Se Jesus não estivesse adormecido dentro de ti, não sofrerias tais tempestades, mas fruiriras de uma grande tranquilidade interior, porque Jesus velaria contigo.
Que quer isto dizer: «Jesus está adormecido»? Significa que a tua fé em Jesus está caída no sono. As tempestades do lago levantam-se: vês os maus a prosperar e os bons sofrer; é uma tentação, um entrechocar de ondas. E, na tua alma, dizes: «Ó meu Deus, é isto a Tua justiça, prosperarem os maus e ficarem os bons abandonados ao sofrimento?» Sim, dizes tu Deus: «É esta a Tua justiça?» E Deus responde: «É isso a tua fé? O que te prometi de fato? Fizeste-te cristão para singrares neste mundo? Atormentas-te com o destino dos maus, aqui, quando não conheces o seu destino no outro mundo?»
Qual o motivo de falares assim e de seres sacudido pelas ondas do lago e pela tempestade? É porque em ti Jesus dorme; quero com isto dizer que a tua fé em Jesus adormeceu no teu coração. Que farás para seres libertado? Acorda Jesus e diz-Lhe: «Mestre, estamos perdidos». As incertezas da travessia do lago atribulam-nos; estamos perdidos. Mas Ele despertará, quer dizer, a tua fé voltará; e, com a ajuda de Jesus, refletirás no teu coração e notarás que os bens concedidos hoje aos maus não durarão. São bens que se lhes escaparão durante a vida ou que terão de abandonar no momento da morte. A ti, pelo contrário, o que te for prometido ficar-te-á para a eternidade [...]. Vira, pois as costas àquilo que cai em ruína, e volta o teu rosto para o que permanece perene. Quando Cristo acordar, a tempestade já não te sacudirá o coração, as ondas não afundarão a tua barca, porque o vento e as ondas ficarão sob o comando da tua fé, e então o perigo desaparecerá.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

FÉ E CIÊNCIA, DIÁLOGO NECESSÁRIO

Colóquio entre Dom Ravasi e o geneticista Axel Kahn

“Excluir a razão ou não admitir nada mais que a razão” são os dois excessos a evitar ao confrontar fé e ciência, afirmou o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, Dom Gianfranco Ravasi, tomando um pensamento do filósofo Pascal.

O prelado falou durante um debate com o geneticista Axel Kahn, presidente da Universidade Paris-Descartes, realizado na sexta-feira passada na embaixada francesa na Santa Sé.

O evento realizou-se por iniciativa da embaixada, em colaboração com a Delegação da Comissão européia na Santa Sé.

Dois excessos que devem substituir-se por “dois olhares, a ciência e a fé”, ambas necessárias “para uma visão completa da realidade que se explora”, disse Dom Ravasi.

Para o arcebispo, a relação entre ciência e fé deve dar-se “na distinção e no diálogo”.

Cada uma delas cobre “âmbitos diferentes, com caminhos autônomos e diferentes metodologias”, mas ambas “têm necessidade uma da outra para se completar na mente de uma pessoa que pensa”, afirmou.

Dom Ravasi disse que “a tentação no Ocidente é, por um lado, burlar-se vendo a teologia como um produto da paleontologia cultural destinado a ser abandonado com o advento da ciência e, por outro, impor à ciência alguns limites fundamentados sobre afirmações teológicas”.

Objetos diferentes

“A ciência –prosseguiu Dom Ravasi– interroga-se sobre o ‘como’, enquanto a metafísica e a religião se dedicam a investigar os valores últimos, o ‘por que’”.

Ainda que certamente a teologia e a ciência têm “gramáticas diversas”, explicou o arcebispo, “também têm coincidências metodológicas e expressivas”.

A linguagem científica moderna, por exemplo, “recorre muito à categoria do símbolo, aproximando-se do teológico”, disse.

Por outro lado, “segundo Santo Agostinho, “a fé não é nada se não se pensa sobre ela”; a adesão da fé não é só afetiva, mas requer uma elaboração intelectual, e a teologia serve-se de categorias lógicas”, continuou.

Dom mesmo modo, se o conhecimento de fé se situa em um canal distinto ao da simples racionalidade, “não é o único deste tipo experimentado pelo homem”, indicou. E explicou: “pode-se pensar na experiência do enamoramento, em que se supera o que a ciência oferece e se vê no rosto do outro a beleza além da objetividade”.

“Trata-se de um conhecimento verdadeiro, ainda que não é o mesmo que o da geometria, o da racionalidade”, afirmou.

Nem tudo é ciência

Por sua parte, o geneticista Kahn questionou: “por que um quadro é belo?”. “Não há uma resposta científica a esta pergunta, mas é legítimo propô-la, assim como perguntar-se se algo está bem ou mal”.

“A filosofia –prosseguiu Kahn– é um método racional para buscar respostas que não podem ser enfrentadas com a ciência e a racionalidade”.

E é a filosofia, em lugar da fé, a que se exige um diálogo com a ciência, opinou Kahn.

“O diálogo deve ter um vocabulário de conceitos comuns – acrescentou: se os conceitos da fé e da ciência são incomensuráveis entre si, o diálogo não pode ser intelectualmente frutífero”.

“O enfoque filosófico-científico pressupõe uma questão aberta à qual se tenta responder: se a hipótese de início, depois da verificação, resultar ser falsa, renuncia-se a ela”.

Em contrapartida, um enfoque teológico “não pode renunciar a sua premissa, que é a Revelação”. No entanto, “o diálogo entre a fé e a ciência é útil”, disse o geneticista.

“Sobre o humanismo, as posições convergem e estamos mais de acordo que em desacordo”, afirmou.

Na pesquisa com embriões, por exemplo, “a necessária proteção da singularidade do embrião – que ao se desenvolver converte-se em um ser humano – deve recordar-se com ou sem fé”, opinou.

“Sobre a condenação dos exames genéticos nos imigrantes, penso como a Igreja francesa”, acrescentou.

Para Kahn, “nosso mundo está fundado sobre os que crêem e os que não crêem, mas é necessário criar o futuro juntos; há que dialogar sobre o que uns e outros consideram o caminho correto”.

“A aparição de um ser humano é o resultado de duas condições: possuir um genoma humano e saber olhar o próximo como um questionamento, alguém através de cujo valor de ser humano percebo meu próprio valor”, afirmou Kahn.

“A reciprocidade – concluiu Kahn, que se professou ‘agnóstico, mas não ateu’ – para um materialista, desde fora da Revelação, é a condição do pensamento moral”.

Dom Ravasi recordou que “quando o Gênesis define a imagem de Deus no homem, afirma que “homem e mulher os criou”, quer dizer, que a imagem de Deus é a relação de amor, a reciprocidade”.

“Para utilizar de novo um pensamento de Pascal”, concluiu o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura. “se existe o amor, existe Deus”.

Chiara Santomiero

Fonte: Agência ZENIT - ROMA, terça-feira, 6 de outubro de 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

ENTREGAR A VIDA A CRISTO A PESAR DO "ESCÂNDALO" DA FÉ, PEDE O PAPA BENTO XVI

Ao presidir ao meio-dia (hora local) a reza do Ângelus dominical no Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, o Papa Bento XVI insistiu a todos a que renovem sua entrega ao Senhor Jesus para ser assim testemunhas de seu amor ante o mundo, avançando contra corrente; sem importar o "escândalo" do “paradoxo da fé cristã".
Ao meditar sobre o Evangelho de João deste domingo que fecha o discurso eucarístico do Pão de Vida, o Santo Padre recordou que a "provocadora pergunta" de Cristo a seus apóstolos: "Vocês também querem ir-se?" não está "dirigida somente a quem os escutava então, mas sim alcança aos crentes e homens de toda época. Inclusive hoje, muitos seguem 'escandalizados' ante o paradoxo da fé cristã".
Seguidamente o Papa explicou que o ensino de Jesus sobre a necessidade de "comer seu corpo e seu sangue" parece "'duro', muito difícil de acolher e pôr em prática. Por isso surgem quem rechaça e abandonam a Cristo, quem procura 'adaptar' a palavra aos modos dos tempos extirpando-lhes o sentido e o valor".
"'Vocês também querem ir embora? ' Esta inquietante provocação ressoa no coração e espera de cada um uma resposta pessoal", sublinhou Bento XVI.
Jesus, prosseguiu o Papa, "não se contenta com uma pertença superficial e formal, não lhe é suficiente uma primeira e entusiasta adesão, acontece o contrário, é necessário tomar parte para toda a vida 'em seu pensamento e querer'. Segui-lo enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas comporta uma série de dificuldades e renúncias porque com muita freqüência é necessário avançar contra a corrente".
Citando logo a resposta de Pedro ao Senhor: "Senhor, a quem iremos. Só Tu tens palavras de Vida eterna e nós acreditamos que tu és o Santo de Deus", o Papa Bento XVI indicou que "também nós podemos repetir a resposta de Pedro, conscientes da nossa humana fragilidade, mas confiados na potência do Espírito Santo, que se expressa e manifesta na comunhão com Jesus".
"A fé é um dom de Deus para o homem e, ao mesmo tempo, é a livre e total adesão do homem a Deus, a fé é a dócil escuta da palavra do Senhor que se faz 'Lâmpada' para nossos passos e 'luz' em nosso caminho. Se abrirmos com fé o coração a Cristo, se nos deixarmos conquistar por Ele, podemos experimentar também nós, junto ao Santo Cura D'Ars, também que 'nossa felicidade nesta terra é amar a Deus e saber que Ele nos ama'".
Finalmente o Papa pediu "à Virgem Maria que vele sempre por nós por esta fé impregnada de amor, que está nela, humilde donzela de Nazaré, Mãe de Deus e mãe e modelo de todos os fiéis".
Fonte: ACI – 23/08/09 - VATICANO

EVANGELHO SEGUNDO S. JOÃO 1,45-51

Comentário ao Evangelho do dia feito por:

Filoxeno de Mabboug (? - c. 523), bispo na Síria
Homilia n° 4, 76-79 (a partir da trad. SC 44, p. 95 rev.)

«Vem e verás»

Jesus renovou aos santos apóstolos o chamamento que tinha feito a Abraão. E a sua fé assemelhava-se à de Abraão; porque, tal como Abraão obedeceu logo que foi chamado (Gn 12), também os apóstolos seguiram Jesus logo que Ele os chamou e eles O ouviram. [...] Não foi um longo ensinamento o que os tornou discípulos, mas o simples fato de terem ouvido a palavra da fé. Como era viva, a fé deles obedeceu à vida logo que ouviu a voz viva. Imediatamente correram atrás dela, sem mais demoras; assim se vê que já eram discípulos no coração, mesmo antes de terem sido chamados.


Eis como age a fé que manteve a sua simplicidade. Não recebe o ensino à força de argumentos; mas, assim como os olhos sãos e puros recebem o raio de sol que lhes é enviado, sem raciocinarem nem trabalharem, e se dão conta da luz logo que se abrem [...], assim também os que têm a fé natural reconhecem a voz de Deus logo que a ouvem. Neles se ergue a luz da palavra; lançam-se alegremente ao seu encontro e acolhem-na, tal como nosso Senhor diz no Evangelho: «As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz e seguem-Me» (Jo 10, 27).

Hoje: S. Bartolomeu, Apóstolo – festa